A tradição do humor gráfico brasileiro ganha novo fôlego na Amazônia com a realização de Futebol - Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia. A mostra reúne 23 artistas de diferentes regiões do país, com um total de 69 obras entre cartuns, charges, caricaturas e desenhos, tendo o futebol como eixo temático central.
Com acesso gratuito e visitação de 15 de maio a 13 de setembro de 2026, a exposição propõe um olhar crítico, bem-humorado e contemporâneo sobre o futebol, entendido como esporte, mas também como fenômeno cultural profundamente enraizado no cotidiano brasileiro, especialmente na região amazônica, onde mobiliza afetos, memórias e identidades coletivas.
A iniciativa marca também a retomada de uma tradição histórica do humor gráfico na Amazônia, que já foi referência no cenário nacional e internacional. Ao reunir artistas de todo o país, com destaque para a participação de criadores da região Norte, o projeto busca equilibrar desigualdades históricas de circulação e visibilidade, fortalecendo a produção local em diálogo com outras linguagens e territórios.
Idealizada pelo cartunista J. Bosco e pelo artista e produtor cultural Leonardo Dressant, a exposição nasce da necessidade de atualizar e projetar o humor gráfico amazônico para novos contextos, ampliando seu alcance e sua relevância no cenário contemporâneo.
"Depois de oito anos, Belém terá uma Exposição Nacional de Humor e recebe trabalhos de grandes artistas gráficos de várias regiões do Brasil, com um dos temas mais apaixonantes do planeta, que é o futebol. Estou honrado em fazer parte deste evento", diz J. Bosco, chargista, cartunista e curador da exposição.
15 de maio a 13 de setembro de 2026
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Belém/PA – (Av. Presidente Vargas, 800 – Campina)
A exposição evidencia a diversidade de linguagens e territórios do humor gráfico brasileiro, articulando crítica social, identidade cultural e experimentação estética. São 23 artistas do humor gráfico brasileiro, com trajetórias diversas na imprensa, nas artes visuais e na produção cultural.
Integram a mostra Allen Campos, caricaturista e grafiteiro paraense; Cau Gomez, um dos mais premiados artistas gráficos do país; e Céllus, cartunista de humor ácido com carreira iniciada nos anos 1980. Participa também Edra, cartunista e articulador cultural; Emerson Coe, com atuação internacional em cartum político; e Enilson Amorim, que transita entre jornalismo, literatura e educação.
O conjunto inclui Fausto Bergocce, com longa atuação na imprensa paulista; Fernandes, ilustrador premiado na literatura infantil; Geuvar Oliveira, quadrinista com produção autoral; e Gilmar Fraga, chargista e diretor de arte. Integram ainda Hepácia Caroline, referência dos quadrinhos em Roraima; Izânio Bezerra Façanha, cartunista voltado à charge política; e J. Bosco, curador da exposição, jornalista e nome central do humor gráfico paraense.
Completam a mostra Kleber Sales, ilustrador editorial premiado; Leonardo Dressant, autor de narrativas amazônicas; Miran, designer e cartunista com reconhecimento internacional; Paulo Emmanuel, com produção voltada à Amazônia; Reginaldo Moreira (Regi), ilustrador e animador; Romahs, quadrinista com atuação internacional; Ronaldo Rony, referência do cartum amapaense; Samuca Andrade, premiado autor de livros de humor; Raimundo Waldez, chargista da imprensa regional; e William Marcos, representante de uma geração recente com produção digital.
Homenagem a Biratan Porto
Como parte de sua proposta curatorial, a exposição presta homenagem ao cartunista paraense Biratan Porto, referência no humor gráfico amazônico, cuja obra é marcada pelo olhar sensível e crítico sobre questões sociais, ambientais e culturais da região.
Ao longo de sua trajetória, Biratan Porto participou de salões, exposições e publicações no Brasil e no exterior, contribuindo de forma decisiva para a consolidação do cartum paraense como linguagem artística relevante e contemporânea.
“Agradeço, em nome de toda a família, a homenagem vinda do convite do J. Bosco, que foi um grande parceiro e amigo do Biratan Porto. Hoje eu cuido do acervo e dos trabalhos realizados por ele”, diz Tomas Porto, um dos filhos de Biratan.
Formado na área de TI, ele chegou a atuar em algumas edições do Salão Internacional de Humor da Amazônia, organizado, na época, por Biratan Porto, em parcerias, inclusive, com o Banco da Amazônia.
“Biratan foi um multiartista, consagrado na área do traço. Fico lisonjeado com essa homenagem, que demonstra a importância do seu legado para a cultura paraense”, conclui Tomás.
Com entrada gratuita, Futebol - Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia reafirma o compromisso com a democratização do acesso à arte e com a formação de público, dialogando com diferentes faixas etárias e contextos sociais.
Ao reunir artistas de todas as regiões do Brasil e promover o intercâmbio cultural, o projeto contribui para fortalecer a economia criativa e posicionar a Amazônia como território estratégico de produção artística contemporânea.